| Os Princípios da Seqüência
A aquaterapia é criativa em sua essência, permitindo uma gama ampla de expressões individuais. Independentemente do estilo ou da seqüência que os alunos-praticantes aprendam inicialmente, eles conseguem rapidamente desenvolver sua própria abordagem ao trabalho, imprimindo adequações à sua psique, temperamento e preferências individuais. Eles descobrem seus movimentos próprios e incorporam outras modalidades de trabalho corporal às suas sessões.
A água permite uma fácil adaptação, ‘moldando-se’ à expressão de estilos híbridos. A forma pela qual Watsu foi criado foi a própria síntese entre o Shiatsu e o elemento aquático. Apesar de o trabalho na água ser relativamente recente, nota-se entre os praticantes uma variedade de estilos. Alguns enfatizam mais o Shiatsu original, enquanto que outros integram a aquaterapia à fisioterapia, a técnicas utilizadas sobre os tecidos conjuntivos, à polaridade, ao trabalho sobre o crânio e o sacro ou ainda a algum trabalho sobre processos emocionais. O movimento em si constitui minha área de interesse e minha contribuição aos praticantes.
Ao término deste curso você provavelmente selecionará o que lhe atende melhor, e a partir de então poderá explorar outras possibilidades mais a fundo. De todo modo, uma compreensão do que eu defino como os "Princípios da Seqüência" ou a lógica da execução de uma sessão ajuda-lo-á a compreender e a embasar sua prática futura. Determinadas características e necessidades anatômicas, fisiológicas, emocionais e até mesmo espirituais devem ser levadas em consideração. Geralmente, os receptores seguem progressões similares e que se justapõem aos movimentos; estas progressões podem ser previstas e devem ser observadas.
Adapte-se a cada cliente
Os mestres Zen da cerimônia do chá do Japão antigo costumavam dizer: "Este nosso encontro ocorrerá somente uma vez em todas as nossas vidas!" . Cada sessão, do mesmo modo, constitui um encontro único entre quem o cliente e o praticante são naquele momento. Quaisquer outras sessões entre as mesmas duas pessoas jamais serão as mesmas. O objetivo de se ensinar as seqüências reside na aquisição da técnica. O relacionamento verdadeiro inspira-se no ser e no estar do parceiro. e nos seus limites.
Conheça seus próprios limites
Talvez não consigamos – ou até mesmo não queiramos – trabalhar com todos os clientes que nos procurem. Nossa constituição física, nossa força e nosso temperamento podem permitir nosso trabalho com alguns clientes mas não com outros. Certos movimentos podem nos ser desconfortáveis ou penosos, ou simplesmente não se encaixarem com nosso estilo ou preferências. Respeite suas características individuais e seja honesto com você mesmo.
Boa sorte na piscina!
A piscina é o ambiente perfeito para a aquaterapia. As condições da piscina variam, desde um grau ‘sublime’ até algo que poderia ser visto como ‘ridículo’. Seu trabalho com um cliente será afetado pela temperatura da água, pelo sol, vento, chuva, barulhos, profundidade da água, tração exercida pelo fundo, inclinação do fundo, tamanho e formato da piscina, e pela presença – ou não – de outras pessoas em suas próprias sessões, nadando, brincando ou simplesmente observando.
Permita que a confiança seja construída
No início de uma sessão, o receptor precisa se acostumar com o fato de ser sustentado por e de estar dependente do doador para a água não chegue a seu nariz. De certo modo, o receptor deposita sua própria sobrevivência na água nas mãos do doador.
Além disso, se seu cliente nunca recebeu uma sessão de aquaterapia antes, existirá a insegurança advinda de não saber o que realmente irá acontecer. Assim sendo, a construção da confiança é a prioridade número um de uma sessão. Ela é iniciada com a interação verbal que precede a sessão, mas será verdadeiramente testada na água.
A construção da confiança deve se processar através da progressão para níveis cada vez mais amplos de confiança, culminando no estado de entrega, o qual constitui, na verdade, um estado de autorização.
A relação entre esta progressão e a seqüência determina que uma sessão se inicie suavemente, com o receptor e o doador respirando em sintonia enquanto ainda estão em pé na piscina ou quando o doador está flutuando o receptor sem movimento algum. Iniciando-se desta maneira estaremos permitindo ao doador o tempo necessário para focar sua atenção e para se ajustar à sustentação e dependência do doador, algo que não lhe é familiar.
Preste sempre atenção às regiões cervical e lombar
O ponto fundamental da técnica é manter a cervical e a lombar alongados ao invés de hiper-estendidos. Quaisquer movimentos que você introduza à seqüência devem considerar esta preocupação. Evite períodos prolongados com falta de sustentação à cabeça ou com seus pés arrastando-se no fundo da piscina.
Module os alongamentos
Existe um paralelismo entre a progressão dos níveis de relaxamento de um cliente durante uma sessão e a progressão da intensidade dos alongamentos. Deve-se iniciar a sessão com uma exploração do alcance dos movimentos do cliente, procedendo então a alongamentos suaves e culminando com alongamentos mais intensos.
Fique atento ao grau de intimidade
As modalidades aquáticas estão entre as que apresentam um maior grau de intimidade entre todas as terapias corporais. Diferentemente de uma massagem sobre uma mesa, o receptor não se encontra afastado do doador ou ‘protegido’ por um lençol sobre seu corpo. Ele estará em nossos braços, ora alongando-se, ora aninhado e sendo conduzido, e seu corpo estará sempre muito próximo do nosso.
Certos movimentos poderiam ser interpretados como sendo invasivos ou muito íntimos se executados logo no início de uma sessão; por outro lado, podem ser confortavelmente prazerosos se executados após a confiança no doador ter sido estabelecida.
Recomendamos especial atenção ao contato corporal secundário, e à direção para qual a cabeça do cliente está voltada no início da sessão.
Recomendamos também que todos os movimentos onde o praticante se posiciona entre as pernas do receptor sejam reservados para momentos posteriores da sessão.
Conduza a sessão sem distrair-se do seu trabalho
Estados de transe, visões e memórias da infância, incluindo da vida intra-uterina, freqüentemente ocorrem durante uma sessão. Por isso, devemos fazer com que nosso trabalho seja como uma música da Nova Era tocando ao fundo, a um volume alto o suficiente para ser ouvido e ‘curtido’ quando quisermos nos concentrar nela, mas ao mesmo tempo a um volume baixo o suficiente para não nos distrair de nosso trabalho levando nossa consciência a algum outro pensamento. Cada um desses extremos pode abruptamente trazer o cliente de volta ao aqui e agora.
Sendo assim, o que se faz necessário, é um ‘volume confortavelmente médio’, ou seja, um ritmo constante e estável, transições suaves, invisíveis, gentileza de tratamento e cuidado. Seu parceiro poderá então sentir-se seguro o suficiente para entregar-se àqueles estados mais profundos do seu ser.
Faça um trabalho equilibrado com ambos os lados do corpo; proporcione a seu cliente um número adequado de repetições
Uma sessão de aquaterapia consiste tipicamente de vários ciclos, cada um deles constituído por uma fase de vários movimentos que duram alguns minutos, uma pausa para descanso, e a mesma fase repetindo-se do outro lado do corpo.
Executar vários movimentos diferentes em cadeia antes de repetí-los com o outro lado do corpo faz com que o receptor dificilmente consiga prever a ordem exata da seqüência; isso acaba desencorajando o cliente a tentar ocupar sua mente com a seqüência da sessão. Estaremos também propiciando ao corpo do cliente um trabalho simétrico e dando ao cliente uma atenção equilibrada, o que evita que a sessão se torne maçante. Acredito que para todos nós, a vida parece ser mais interessante quando existe o elemento imprevisível.
Uma seqüência equilibrada sempre introduz algo novo a partir do que é familiar ao cliente. A repetição dos movimentos não deve ser evitada, pois reporta o cliente a alguns ‘portos seguros’, momentos que lhe são reconfortantes e familiares, durante os quais ele pode relaxar ainda mais e entregar-se.
Alguns movimentos merecem ser repetidos simplesmente pela força de sua eficácia, por produzirem um maior alongamento ou uma entrega maior a cada vez que são repetidos.
Pausas
Pausas dentro do fluir do movimento são absolutamente essenciais. Se não fossem introduzidas, o receptor se sentiria sobrecarregado com tanto movimento. Ao flutuar sem movimento ou estando simplesmente seguro nos braços do doador, o receptor tem a oportunidade de descansar seu sistema nervoso, de assimilar os estímulos e integrá-los – de sentir-se, em suma, para então estar preparado para absorver mais.
Freqüentemente, descargas de sentimentos podem ser liberadas durante estes momentos de quietude, pois os efeitos da aquaterapia se propagam através da psique. Nestas situações, devemos abandonar qualquer seqüência previamente planejada e dirigir nosso trabalho para uma modalidade mais ‘carinhosa’, mais reconfortante, a qual também não deverá desviar a atenção do cliente de seus sentimentos, e sim silenciosamente encorajá-lo a permanecer com seus sentimentos. Esta atitude pode manifestar-se através de um simples ‘colo’ - segurar o receptor em nossos braços, aninhá-lo contra nosso peito ou massagear o centro do coração ou suas costas.
Acima de tudo o cliente precisa sentir a nossa permissão e aceitação, para que possa sentir e expressar-se. Alguns clientes beneficiam-se enormemente de um estímulo verbal. Ao mantermos nosso compromisso de não seguir uma agenda previamente estabelecida, devemos, como praticantes, não nos envolver com as expressões do cliente, sejam elas o choro ou o fechar-se em si mesmo, mas simplesmente estarmos presentes e também prontos a retomar nosso ‘planejamento’ da sessão quando o cliente assim o desejar ou parecer estar pronto. Todas as transições para a quietude ou saindo dela devem ser executadas gradualmente e com sensibilidade
Mantenha o ‘fluir’
Nosso repertório de movimentos deve compreender um certo número de transições com as quais possamos subtilmente interligar nossas seqüências. Nosso objetivo deve ser um estilo com o fluir suave e ininterrupto, como um tom musical que se eleva e cai na freqüência e amplitude apropriados mantendo sua continuidade. Lembre-se sempre de imaginar que seu parceiro esteja dormindo e você não queira acordá-lo.
Equilibre posições arqueadas e posições arredondadas
Um ponto que deve ser claramente entendido é que manter o corpo em uma posição arqueada (hiper-extensão da espinha e/ou extensão dos músculos da coxa combinada com flexão do joelho) impõe um certo grau de estresse, apesar de proporcionar um alongamento e um trabalho revitalizador nessas áreas. Uma posição desse tipo deve ser seguida por um movimento que ‘arredonda’ a coluna. Observamos aqui um princípio milenar do yoga que jamais será vencido pelo tempo.
Apesar de alguns clientes pedirem mais e mais posições arqueadas, elas devem ser utilizadas com moderação. Em Ondas, conduza uma transição cuidadosa de uma posição ‘arredondada’ para a posição arqueada: se esta transição for executada muito rapidamente, o cliente poderá sentir uma ‘fisgada’ ou uma ‘chicotada’, o que causará um estresse nas articulações intervertebrais.
Encerre a sessão suavemente
Devemos encerrar uma sessão de tal modo que permita ao cliente permanecer em seu fluir de sentimentos ou estado de transe. Em termos práticos, isso significa conduzi-lo de volta à parede e encostá-lo, estabelecer a ‘ancoragem’ com o fundo da piscina mas sempre respeitando seu próprio espaço. Ao voltar à posição vertical, seja sentando-se ou ficando em pé, o cliente imediatamente perceberá que está na hora de ‘voltar à realidade’ e ao convívio com os outros. Ao posicionarmos um cliente na vertical estaremos integrando-o de volta ao mundo do ‘agora’ coletivo.
O equilíbrio da polaridade no encerramento tem por objetivo ancorar e equilibrar os fluxos de energia, bem como para estabelecer um nível mais sutil de consciência do receptor. Ao término de uma sessão, talvez não nos seja possível determinar com exatidão o estado psíquico de nosso cliente. Estaremos ajudando-o a ‘voltar à realidade’ ao oferecer-lhe o tempo, o espaço e a escolha de terminar a sessão quando ele estiver pronto, da mesma forma que recém-nascidos podem receber a oportunidade de começar a respirar antes que o cordão umbilical seja cortado. Um encerramento apressado pode gerar no cliente sentimentos de rejeição.
No contexto adequado, um praticante experiente poderá, mediante consentimento prévio do cliente, deixá-lo acomodado nos degraus da piscina ou flutuando livremente, colocando-lhe os flutuadores adequados sob os tornozelos e o pescoço.
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