A respiração é um constituinte integral da aquaterapia. A aquaterapia pode ser considerada uma terapia da respiração, pois os estados de consciência são gerados pela respiração. A sustentação e a temperatura da água atuam sobre o corpo diminuindo o ritmo do metabolismo, reduzindo a necessidade de oxigênio e produzindo uma respiração mais leve, por vezes até levando a pessoa a parar de respirar por completo.
Paradoxalmente, o cliente encontra-se em outro estado onde ele está respirando profundamente e realizando uma catarse. As energias emocionais estão circulando mais livremente, especialmente quando o diafragma e o abdome são massageados e estão relaxados. A disciplina da psicologia corporal atribui ao diafragma a função de separar o tronco em duas partes, e assim, bloqueando, quando tenso, a passagem das energias armazenadas no abdome para a parte superior e, consequentemente, sua expressão. A Dança Curativa caracteriza-se por vários movimentos onde há abraços íntimos e massagem do hara.
Respirando em sintonia com o receptor desde o início de uma sessão propicia a ambos atingirem um estado de maior consciência no estágio da sessão onde se encontram no momento. Percebemos uma tendência de as respirações se sincronizarem, o que faz com que ambos estejam em sintonia. Quando atingir este estado de ressonância, a intuição do doador lhe permitirá acertar sempre em suas decisões quanto aos movimentos. Ao seguir a respiração de seu parceiro, o doador estará também demonstrando sua sensibilidade para com ele, o que fará com que o receptor confie mais no doador.
Sendo o doador, sua respiração constituirá uma parte do campo rítmico dentro do qual a sessão de desenvolve. A respiração abdominal profunda requer um esforço maior na água do que em terra porque a pressão hidrostática é maior que a pressão atmosférica, oferecendo maior resistência ao diafragma e aos músculos intercostais, que são aqueles que aumentam o volume interno do tórax.
Ao estabelecer desde o início da sessão sua intenção de respirar mais profundamente o auxiliará durante toda a sessão, agindo a seu favor para evitar ou adiar o processo de falta de oxigenação.
Inspirações plenas e bem audíveis também ajudam a modelar um estado de conexão de todo o corpo, ao qual o receptor se sintonizará. Suspirar e permitir que suas cordas vocais vibrem durante a expiração geralmente produzem um efeito calmante no receptor. Sendo assim, torne-se um doador relaxado, que compartilha o prazer e o benefício da respiração: seu movimento permanecerá orgânico e ao mesmo tempo sintonizado com o fluir.
O ideal seria respirar somente pelo nariz. Entretanto, durante movimentos que exijam um certo esforço, respirando pelo nariz e pela boca nos permitem inspirar o volume de ar necessário. Durante as pausas para a assimilação do receptor, você poderá descansar e recuperar seu fôlego, tal como um dançarino o faz no palco: ele identifica os momentos certos para respirar e recompor suas forças antes de continuar.
Outra técnica bastante útil consiste em inspirar profundamente, e a seguir suspirar, expelindo o ar e afundando na água com a consciência de estar relaxando ao mesmo tempo. Chamamos esta técnica de ‘encontrar o momento "zero" ’. Quanto mais você afundar na água, menos esforço estará despendendo. Os músculos que tenham sido excessivamente esforçados podem relaxar mais facilmente, pois a demanda sobre eles está sendo reduzida.